sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O Poder do Bem e o Caminho do Amor

“- Mestre, qual é o maior mandamento da lei?
Jesus respondeu-lhe: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua Alma e com todo o teu pensamento.»
É o primeiro e o maior de todos os mandamentos.
Eis o segundo que lhe é semelhante: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo.»
Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.

Novo Testamento, S. Mateus, XXII

O Mestre disse: “ O sábio ama todos os Homens e não tem parcialidade por ninguém. O Homem comum é parcial e não ama todos os Homens”.

Confúcio, 551?-479? a. C., China, Conversações

A partir de hoje o meu coração pode tomar todas as formas,
Um prado para as gazelas, um claustro para os monges,
Um santuário para os ídolos, uma Caaba para os peregrinos,
As tábuas da Torah e o livro do Alcorão.
Pratico uma religião de Amor: seja qual for o ponto
Para onde se dirija a caravana do Amor,
Aí estão a minha religião e a minha fé.

Muhyi al-Din b. Arabi, 1165-1240, Andaluzia,
Turjumãn al-Aswãq

A Santidade suprema é feita de amor, de bondade e de tolerância. O ódio, a vingança e a dureza decorrem do esquecimento da palavra de Deus e do empalidecer do brilho da sua santidade.
Rabbi Yzhak, Há-Cohen Kook, Mussar Há-Kodesh, 1938

Muitas são as mensagens de Homens divinos, porque cada Homem é concebido para ser protagonista de uma grande história de amor, que começa nos braços ternos e amorosos da sua mãe, que o protege, o acarinha e o ampara desde o seu gatinhar na senda do saber até aos seus primeiros passos no conhecimento da natureza e dos objectos que o rodeiam. Depois desta, a sua história de amor tem continuidade à volta da sua família e dos seus amigos mais próximos, ao mesmo tempo que desenvolve também o amor por coisas abstractas e subtis, tais como a justiça e a verdade. Porém, à medida que o Homem vai amadurecendo o seu intelecto e o conhecimento das coisas do mundo que o rodeiam, aquele vai sendo conduzido ao amor por valores morais, tais como a tolerância, o perdão e a solidariedade. E, nesta sinuosa vereda de valores caminhará ao longo da sua vida, até alcançar o perfeito conhecimento do seu próprio espírito, onde reside o puro amor. E aí, nessa câmara de reflexão divina, o Homem terá a oportunidade de descortinar entre o negrume da matéria que o envolve, que a espiritualidade é a chave para a redescoberta do Caminho do Amor, uma vez que é através desta, que aquele pode encontrar com a mesma certeza que o acompanhou na infância, de que é muito querido e amados por todos aqueles que o acompanham, ou que consigo convivam, ou se relacionem. Por conseguinte, depois do Homem muito caminhar na procura da luz, podemos descortinar por baixo do seu olhar cansado e encovado, a inocência de outros tempos a reflectir dos seus olhos, essencialmente, porque o tempo não pode macular a sua essência, uma vez que esta é uma parcela do seu próprio espírito eterno.

Na verdade, sendo o Amor uma parcela do espírito divino do Homem, este reunifica-o com a vida e com todas as possibilidades contidas e geradas por esta. E, o Bem, que para além de sintonizar a liberdade com a responsabilidade, impõe que aquele caminhe com firmeza, com honra e virtude na senda da verdade, da solidariedade, e da tolerância, ao mesmo tempo que o faz compreender, que este belo planeta azul é apenas um estágio da sua evolução espiritual.

Assim, a verdadeira comunhão do “Bem” e do “Amor” faz-se de espírito a espírito, e de coração a coração. Aliás, esta maneira muito humana de difundir o Amor e o Bem, é uma condição essencial e indispensável para que o Homem venha a viver na era dourada, ou seja, na quarta era, onde há muito se profetiza, que este viverá numa total harmonia com a humanidade. Pelo que somente através do Caminho do Amor, o Homem conseguirá alcançar esta era. Mas, para isso terá que ser capaz de edificar o novo dentro do velho, pois só desse modo terá sucesso na sua evolução cósmica. É certo que a sua caminhada profética está facilitada pela Esperança, pela Solidariedade, e pela certeza que este tem de que nessa mítica nova era não haverá violência, intolerância e obscurantismo. Pelo que adivinha que nesse tempo divino, a fome e as guerras entre os povos, passarão a ser apenas memórias de um passado distante. Todavia, para que esta esperançosa era dourada venha a ser uma realidade para a humanidade, compete ao Homem de hoje ajudar a Fénix a elevar-se das cinzas, para que possa vir a planar nesses futuros brilhantes céus cósmicos. Para que a Fénix renasça e voe alto, ajudemos a acelerar o despertar espiritual que nos conduzirá a essa mítica e maravilhosa era, com a prática sistemática do Bem e a opção por sempre caminhar na senda do verdadeiro Amor. Pois só deste modo, um dia, o Homem será deus em potência e em acção.

Na verdade, hoje existem alguns indicadores que nos informam, que ainda não estamos prontos para viver nessa nova era. Porém, outros indicadores existem, que nos dão esperança e confiança, uma vez que nos indicam que muitos de nós estão a dar o seu melhor para que a humanidade se liberte de continuar a lutar entre si, e de obter as suas riquezas e o seu bem-estar à custa do empobrecimento do próximo e da destruição deste bonito planeta azul, que nos serve de nave inter-Galáctica nesta longa viagem da humanidade pelo espaço sideral. Sem dúvida que este é o ideal dos cavaleiros da Luz, pois só através deste podemos alcançar o ideal superior da humanidade, que é a consciência plena da sua igualdade, e do permanente diálogo entre o seu mundo interior e exterior.

Portanto, para que a visão profética se materialize numa realidade, o Homem terá que ter a capacidade de descortinar a bondade em cada espírito que o rodeia, e tem que nele plenamente confiar. Pois, mesmo Homens considerados rudes, maus e de espírito negro, possuem a bondade no seu interior, uma vez que esta é uma parcela do seu espírito eterno, cuja essência reside em qualquer Eu. Não importa quão profundamente se esconda nesses espíritos mergulhados nas trevas, basta sabermos que esta neles se esconde, porque ao termos conhecimento da sua existência, utilizaremos o melhor de nós para a procurar e a resgatar das trevas.

Na verdade, para que nos predisponhamos a acreditar na existência da bondade em qualquer Eu, é importante sabermos que existe dentro do nosso Eu, uma força mágica e sublime chamada Amor, a qual sendo uma parcela do nosso espírito eterno, não tem forma, não tem cor, não tem raça, não tem credo, nem tem nenhum preconceito, mas que pela sua fácil propagação na humanidade, acaba por ter um supremo poder de transformar a existência de cada Homem. Pelo que só por si, contribui para que este possa viver na potencialidade e na plenitude da Esperança, e da Serenidade. Aliás, o Poder do Amor é o responsável por vivificar todo o nosso ser, por reanimar todas as nossas forças, e até por aliviar todas as nossas tensões existenciais. Porque o Amor tem a magia de curar no Homem a sua tristeza, a sua inimizade, a sua inveja e todos os males que minam, colocando-o em harmonia com o mundo e consigo próprio. Aliás, muitos médicos concordam que por detrás de muitas patologias de muitos Homens, está a ausência de amor por si próprio e pelo próximo. Pelo que podemos atribuir, que é pelo desconhecimento do Poder do Bem e do Caminho do Amor, que muitas vezes o Homem é conduzido à tirania, e à violência desenfreada com os seus iguais.

Em suma, a Força do Amor impele o Homem para frente, indicando-lhe qual é o melhor caminho que aquele deve seguir. Porque o Amor para além de ser o fluido do Bem, o construtor da paz, e o agenciador da segurança, é também aquele que molda o carácter do Homem, esculpe a sua firmeza moral, alumia o seu caminho, e evidência a sua Sabedoria para a essencialidade da vida. Pois, é com Amor e com Sabedoria, que o Homem obtêm a força capaz para se elevar ao plano cósmico, ao mesmo tempo que o poupa nas angústias, nas tragédias e nos seus fracassos. E tanto mais, que o Homem espiritualizado é honrado, é sábio e é entendido nas ciências da vida. E, porque o Homem está cheio de Amor para oferecer, está sempre disponível para ajudar o próximo.

Por outro lado, muitos Homens confundem o amor espiritual com o amor meramente carnal. Amar não é viver apenas uma aventura. Exemplos desse tipo de amor estão grandes obras literárias cheias, lá onde o amor é confundido com a simples paixão e devaneio. Só o verdadeiro amor liberta e traz a Felicidade ao Homem. Contudo, esta confusão de Amor tem um fundo de aceitabilidade e alguma razão de ser, uma vez que o templo natural da divindade é o nosso próprio corpo. Assim, enquanto um homem honrar a divindade que existe dentro do Eu da sua mulher, e ela honrar o deus que existe dentro do Eu do seu homem, eles criarão uma energia divina de força extrema, que limpará o corpo e a mente transformando a sua consciência, ao mesmo tempo que criam um estado de iluminação para os dois. É o princípio soberano da dualidade, que aponta para si própria. É a bipolaridade por excelência, que juntamente com a unidade, se transforma no “Princípio Primordial” de Pitágoras.

Na verdade, tudo quanto existe é dual em essência, e tudo quanto se manifesta é trino. Aliás, a unidade de ambos, positivo para o homem e negativo para a mulher, é a polaridade necessária para qualquer manifestação. Pois, a manifestação ocorre no ponto em que o homem e a mulher se unem, gerando o filho que representa a estabilidade e o equilíbrio. Assim, na dualidade podemos encontrar prazer e dor, enquanto que na Unidade da dualidade há Lei, que está acima do bem e do mal, do prazer e da dor, da vida e da morte.

Mas, por haver tanta confusão entre este sublime sentimento, interroguemo-nos! O que é amar? Amar é desejar o bem do próximo como se deseja para nós próprios! Por isso, se alguém não se ama a si próprio, como pode amar a sua mulher, o seu irmão, o seu amigo, e todos os que lhe estão próximos?

Sem dúvida que para alcançarmos a Serenidade, a Paz Interior e a nossa própria Felicidade, temos que aprender a respeitar e a amar verdadeiramente o nosso próximo, porque a essência do Amor é a chama da eterna luz espiritual que nos foi outorgada pelo Grande Arquitecto do Universo.

Em suma:
Que mal poderá advir ao Homem pelo respeito mútuo entre si, e o Amor que este tem pelos outros?

Que mal poderá advir ao Homem pela sua educação, e pelo seu doce falar para com os demais?

Que mal poderá vir ao Homem pela bondade dos seus actos, e pelas suas doces atitudes?

Que mal poderá vir ao Homem pela confiança que deposita no seu semelhante?

Claro que nenhum mal lhe poderá advir! Antes pelo contrário, com estas atitudes, ele só poderá vir a obter a Serenidade, a Paz Interior e o conhecimento do caminho para a morada do eterno. E, tanto mais que só o Homem tem a capacidade e o poder de unir, sem tirar a dignidade de outro Homem, sem lhe furtar a dignidade do seu próprio Eu. E para isso, o fluxo do Amor tem que estar sempre presente no seu EU. Pois, só o Amor é capaz de pôr a humanidade acima das ideologias, acima dos credos, ou acima das raças. Só o Amor pode fornecer as necessárias e infinitas energias para sobrepujar a fome, a miséria e o desespero, que actualmente existe e grassam na humanidade. Pelo que o Homem deve viver com Amor, com Alegria, com Paz e com abundância, respeitando e honrando as forças da vida que existem dentro deste, de todos, e de tudo à sua volta. Caminhemos pois na senda do Amor e na Força do Bem. Amemos o nosso semelhante, voltemo-nos para ele com amizade e sincera generosidade. E com esta acção, ficamos credores de seremos chamados deuses em potência e em acção, por vivermos com Amor cada momento da nossa vida.

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